segunda-feira, 23 de março de 2026

Jardins que Escolhem Florescer

Em tempos onde muitos fecham seus portões,
com medo do que pode entrar,
eu escolhi cuidar do meu jardim…
mas não trancá-lo.

Arranquei ervas daninhas do passado,
reguei o que em mim ainda era vida,
aprendi que flores não nascem na pressa,
e que o tempo também é jardineiro.

Hoje, ele está bonito.
Não perfeito — mas verdadeiro.
Colorido de aprendizados,
perfume de recomeços,
e com caminhos abertos para quem quiser chegar.

Porque, no fundo,
um jardim não existe só para ser visto…
existe para ser compartilhado.

Minhas flores carregam o que sou:
meu carinho, minhas falhas, minhas alegrias,
minha forma sincera de sentir o mundo.
E ainda assim,
há um espaço vazio que não me falta —
me espera.

Não procuro alguém que apenas passe por aqui,
mas alguém que fique o suficiente
para plantar comigo.

Alguém que entenda
que o amor não nasce pronto como uma flor rara,
mas cresce —
entre conversas, silêncios, toques e escolhas.

Primeiro, o olhar.
Depois, o riso tímido que se repete.
As palavras que se aproximam devagar,
até que, sem perceber,
já não somos dois caminhos —
mas um encontro.

E então,
mãos se encontram como raízes que se reconhecem,
o toque vira linguagem,
e o sentir… começa a florescer.

Mas amar —
amar de verdade —
é mais do que sentir.

É escolher ficar
quando seria mais fácil ir.
É aprender o outro
sem deixar de ser quem se é.
É podar excessos,
regar ausências,
e ter coragem de crescer junto.

Porque o amor não nasce.
O amor se constrói.

E eu estou aqui,
com meu jardim aberto,
esperando não alguém perfeito,
mas alguém disposto.

Disposto a plantar,
a cuidar,
a permanecer.

Talvez,
a última flor que falta em mim
não seja sobre mim.

Mas sobre nós.

E quando ela florescer,
não será só mais uma cor no jardim —
será a prova
de que dois corações, quando escolhem…
sabem cultivar o infinito amor verdadeiro.



Leandro Pereira 

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