Em tempos onde muitos fecham seus portões,
com medo do que pode entrar,
eu escolhi cuidar do meu jardim…
mas não trancá-lo.
Arranquei ervas daninhas do passado,
reguei o que em mim ainda era vida,
aprendi que flores não nascem na pressa,
e que o tempo também é jardineiro.
Hoje, ele está bonito.
Não perfeito — mas verdadeiro.
Colorido de aprendizados,
perfume de recomeços,
e com caminhos abertos para quem quiser chegar.
Porque, no fundo,
um jardim não existe só para ser visto…
existe para ser compartilhado.
Minhas flores carregam o que sou:
meu carinho, minhas falhas, minhas alegrias,
minha forma sincera de sentir o mundo.
E ainda assim,
há um espaço vazio que não me falta —
me espera.
Não procuro alguém que apenas passe por aqui,
mas alguém que fique o suficiente
para plantar comigo.
Alguém que entenda
que o amor não nasce pronto como uma flor rara,
mas cresce —
entre conversas, silêncios, toques e escolhas.
Primeiro, o olhar.
Depois, o riso tímido que se repete.
As palavras que se aproximam devagar,
até que, sem perceber,
já não somos dois caminhos —
mas um encontro.
E então,
mãos se encontram como raízes que se reconhecem,
o toque vira linguagem,
e o sentir… começa a florescer.
Mas amar —
amar de verdade —
é mais do que sentir.
É escolher ficar
quando seria mais fácil ir.
É aprender o outro
sem deixar de ser quem se é.
É podar excessos,
regar ausências,
e ter coragem de crescer junto.
Porque o amor não nasce.
O amor se constrói.
E eu estou aqui,
com meu jardim aberto,
esperando não alguém perfeito,
mas alguém disposto.
Disposto a plantar,
a cuidar,
a permanecer.
Talvez,
a última flor que falta em mim
não seja sobre mim.
Mas sobre nós.
E quando ela florescer,
não será só mais uma cor no jardim —
será a prova
de que dois corações, quando escolhem…
sabem cultivar o infinito amor verdadeiro.
Leandro Pereira





