Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento de só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras e alto muro.
Que este amor só me faça descontente.
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida
Hilda Hilst

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